Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

O CHA DE TILIA

Na Idade Média havia grandes castelos, rodeados de água.

Os cavaleiros treinavam-se no uso de armas; as castelãs admiravam-nos do alto das torres ameadas, e os guardas, nos caminhos da ronda, observavam os arredores, pois os castelões travavam batalhas frequentemente e os seus castelos deviam estar bem guardados.

O pequeno Albertino foi encarregado de limpar todas as folhas mortas que cobriam o chão,no Outono.

Mas ele preferia brincar e, muitas vezes, em vez de trabalhar, corria pelos campos.

Deve dizer-se que os campos eram belos. Em redor do castelo estava parada uma água acastanhada, mas, um pouco mais longe, corria um belo ribeiro. Albertino ia muitas vezes para lá pescar, para observar as borboletas ou seguir com os olhos os voos das abelhas. Como não cumpria o seu dever, o rapazinho ouvia muitas reprimendas. Mas as censuras não o impressionavam´e continuava a correr pelos campos.

Nesse ano o Outono estava particularmente belo e Albertino gostava de pisar o tapete de folhas púrpuras que estalavam debaixo dos seus pés. Lá em cima, no caminho da ronda, o guarda tremia com o vento já frio e, muitas vezes, abrigava-se na torre, em vez de fazer a ronda no exterior. Quem pensaria atacar o castelo? O senhor não tinha inimigos.

Albertino,pelo seu lado, tinha muito trabalho. Mal apanhava as folhas mortas, logo outras caiam, obrigando-o a recomeçar o trabalho, sem parar. Por outro lado, tinha de queimar as folhas mortas com os galhos e os detritos. Depois de ter enchido um carrinho de folhas, sentiu-se cansado.

"Como - pensou ele -, como é que poderei verme livre delas facilmente? Se quiser queimar todas as folhas como de costume, primeiro tenho de empurrar o carrinho até ao meio do prado, porque o mestre não quer que se faça fogo ao pé do castelo. Estou cansado. Não gosto deste trabalho."

De repente Albertino teve uma ideia.

"E se as deitasse ao ribeiro? O mestre não saberia de nada."

Se assim pensou, melhor o fez. Em vez de queimar as folhas, Albertino lançou-as ao ribeiro e elas espalharam-se à superficie da água. Depois albertino foi sentar-se num canto tranquilo para dormir a sesta ao abrigo do vento.

Entretanto, na torre, junto ao caminho da ronda, o guarda tinha adormecido, cansado de observar em vão os campos, lá fora, sob o vento frio. Cansado...! Durante o seu sono,um castelão vizinho, invejoso e ambicioso, aproximou-se do castelo com um exército.

Passando despercebidos, os atacantes preparavam-se para invadir o dominio. Contudo antes de começarem o combate, pararam para matar a sede. A marcha tinha sido dificil pois traziam as armaduras e armas muito pesadas. Beberam água do ribeiro em que o Albertino tinha deitado as folhas mortas.

Então deu-se um fenómeno estranho: os homens que, algumas horas antes estavam prontos a combater, subitamente sentiram-se menos excitados. Foram invadidos por uma calma estranha: até o castelão invejoso perdeu a vontade de lutar. Sentou-se, com os seus homens, ao longo do ribeiro. Quando Albertino acordou foi ver se as folhas tinham sido levadas pela corrente. Para sua Grande surpresa, descobriu os homens adormecidos e correu ao castelo, onde preveniu o guarda. Este deu o alerta. O castelão e os seus servidores facilmente caçaram os seus inimigos, apanhados a dormir.

Quando o castelão soube que o alerta fora dado graças ao Albertino, quis falar com o rapazinho. Este confessou que deitara as folhas ao ribeiro, em vez de as queimar.

O castelão compreendeu que os seus inimigos tinham adormecido após terem bebido a água desse ribeiro. Ora, essa água, lembrem-se, arrastava no seu curso as folhas mortas apanhadas no jardim do castelo: eram folhas de Tília.

Foi assim que se descobriram as virtudes calmantes da Tília. A partir daí passaram a fazer-se infusões de Tília.

 

                                                                                                              AUTORA: IRÈNE DEKELPER

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publicado por ana-e-historias às 22:22
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