Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Gostaram?

OLÁ

 

Que tal estas histórias? Já tinham lido ou ouvido?

Deixem os vossos comentários e eu vou cumprir a minha parte e irei deixando novas histórias, se possivel historias poucos conhecidas.

Depois de lerem podem contar aos vossos filhos ou aos vossos pais (espero eu - lol).

 Até Breve

publicado por ana-e-historias às 23:14
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O CHA DE TILIA

Na Idade Média havia grandes castelos, rodeados de água.

Os cavaleiros treinavam-se no uso de armas; as castelãs admiravam-nos do alto das torres ameadas, e os guardas, nos caminhos da ronda, observavam os arredores, pois os castelões travavam batalhas frequentemente e os seus castelos deviam estar bem guardados.

O pequeno Albertino foi encarregado de limpar todas as folhas mortas que cobriam o chão,no Outono.

Mas ele preferia brincar e, muitas vezes, em vez de trabalhar, corria pelos campos.

Deve dizer-se que os campos eram belos. Em redor do castelo estava parada uma água acastanhada, mas, um pouco mais longe, corria um belo ribeiro. Albertino ia muitas vezes para lá pescar, para observar as borboletas ou seguir com os olhos os voos das abelhas. Como não cumpria o seu dever, o rapazinho ouvia muitas reprimendas. Mas as censuras não o impressionavam´e continuava a correr pelos campos.

Nesse ano o Outono estava particularmente belo e Albertino gostava de pisar o tapete de folhas púrpuras que estalavam debaixo dos seus pés. Lá em cima, no caminho da ronda, o guarda tremia com o vento já frio e, muitas vezes, abrigava-se na torre, em vez de fazer a ronda no exterior. Quem pensaria atacar o castelo? O senhor não tinha inimigos.

Albertino,pelo seu lado, tinha muito trabalho. Mal apanhava as folhas mortas, logo outras caiam, obrigando-o a recomeçar o trabalho, sem parar. Por outro lado, tinha de queimar as folhas mortas com os galhos e os detritos. Depois de ter enchido um carrinho de folhas, sentiu-se cansado.

"Como - pensou ele -, como é que poderei verme livre delas facilmente? Se quiser queimar todas as folhas como de costume, primeiro tenho de empurrar o carrinho até ao meio do prado, porque o mestre não quer que se faça fogo ao pé do castelo. Estou cansado. Não gosto deste trabalho."

De repente Albertino teve uma ideia.

"E se as deitasse ao ribeiro? O mestre não saberia de nada."

Se assim pensou, melhor o fez. Em vez de queimar as folhas, Albertino lançou-as ao ribeiro e elas espalharam-se à superficie da água. Depois albertino foi sentar-se num canto tranquilo para dormir a sesta ao abrigo do vento.

Entretanto, na torre, junto ao caminho da ronda, o guarda tinha adormecido, cansado de observar em vão os campos, lá fora, sob o vento frio. Cansado...! Durante o seu sono,um castelão vizinho, invejoso e ambicioso, aproximou-se do castelo com um exército.

Passando despercebidos, os atacantes preparavam-se para invadir o dominio. Contudo antes de começarem o combate, pararam para matar a sede. A marcha tinha sido dificil pois traziam as armaduras e armas muito pesadas. Beberam água do ribeiro em que o Albertino tinha deitado as folhas mortas.

Então deu-se um fenómeno estranho: os homens que, algumas horas antes estavam prontos a combater, subitamente sentiram-se menos excitados. Foram invadidos por uma calma estranha: até o castelão invejoso perdeu a vontade de lutar. Sentou-se, com os seus homens, ao longo do ribeiro. Quando Albertino acordou foi ver se as folhas tinham sido levadas pela corrente. Para sua Grande surpresa, descobriu os homens adormecidos e correu ao castelo, onde preveniu o guarda. Este deu o alerta. O castelão e os seus servidores facilmente caçaram os seus inimigos, apanhados a dormir.

Quando o castelão soube que o alerta fora dado graças ao Albertino, quis falar com o rapazinho. Este confessou que deitara as folhas ao ribeiro, em vez de as queimar.

O castelão compreendeu que os seus inimigos tinham adormecido após terem bebido a água desse ribeiro. Ora, essa água, lembrem-se, arrastava no seu curso as folhas mortas apanhadas no jardim do castelo: eram folhas de Tília.

Foi assim que se descobriram as virtudes calmantes da Tília. A partir daí passaram a fazer-se infusões de Tília.

 

                                                                                                              AUTORA: IRÈNE DEKELPER

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publicado por ana-e-historias às 22:22
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O LIRIO

Naquela época, há muito tempo, vivia um pastor.

Esse pastor chamava-se Martim e vivia numa casinha à volta da qual saltitavam as cabras que ele guardava para o patrão.

Martim gostava imenso das suas cabras, que eram muito bonitas, sobretudo a Sara, uma cabrinha travessa e muito vaidosa. as flores faziam-lhe vénia e não paravam de a admirar.

Excepto o Lírio que a achava demasiado emproada. Essa falta de consideração da parte do Lírio envergonhava muito Sara, que passava em frente a essa flor, tão diferente das outras, lançando-lhe olhares de desprezo. É preciso que saibam que nesses tempos o Lírio ainda não tinha as lindas campainhas que exibe na primavera; era uma planta selvagem com flores sem graça, redondas e sem ornamentos.

Mais mimalha de dia para dia, a bela Sara também troçava de Martim, seu pastor. muitas vezes afastava-se do rebanho e escondia-se por trás de uma moita onde era dificil Martim encontrá-la. Como sara gostava então de ouvir a voz preocupada do pastor a chamá-la, muito inquieto porque tinha medoo de perder a cabra mais bonita do seu rebanho... Sara ficava muito orgulhosa de o ver procurar por todo o lado...

Pouco a pouco, Sara provocava assim a má vontade das suas companheiras. porque ela troçava das outras cabras, que não eram tão bonitas como ela. a sua vaidade tornava-se verdadeiramente insuportável. o próprio Martim zangava-se quando a Sara era demasiado desobediente.

E a erva murmurava: como Sara é mimalha!

As próprias flores já não faziam vénia perante uma cabra desobediente. acabaram por partilhar a opinião do Lírio. mas, indiferente ao mau humor que provocava em volta, Sara continuava teimosa.

Um dia o senhor daquelas terras apareceu e perguntou a martim se as cabras se portavam bem.

- Sim - diz Martim -, mas Sara causa-me muitas preocupações.

- Então põe-lhe uma coleira!- disse o senhor - uma coleira com um guizo: assim saberás sempre onde ela está, pelo chocalho do guizo.

quando sara ouviu tais palavras, ficou em pânico: iam pôr-lhe uma coleira, com um guizo!

E todos troçavam dela. Todos? Bem, nem todos! porque o Lírio não se ria. no fundo, o Lírio tinha bom coração e via lágrimas nos olhos de Sara.

A cabrinha afastou-se tristemente das companheiras. e pôs-se a chorar amargamente.

Adeus vaidade! Adeus, caprichos! Ia usar uma coleira! Que vergonha para uma cabrinha independente.

Quando o patrão se foi embora, Martim pegou numa coleira com um guizo e pô-la ao pescoço de Sara. mas a cabrinha deu pulos tão grandes que estragou a coleira e Martim teve que a deitar fora.

- Nao perdes pela demora - diz ele. - o guizo fica aqui na consola da granja e amanhã trago outra coleira.

E Martim foi para casa. debaixo da consola onde ele tinha posto o guizo, Sara chorou toda a noite. agora lamentava não ter sido mais obediente. Quando o sol voltou a aparecer no céu, a cabrinha arrastava-se tristemente pela erva.

Com pena dela, o Lírio chamou-a:

- Sacode a consola - diz ele - e faz o cair o guizo para o chão, depois traz-mo.

Sara não sabia o que queria fazer o Lírio, mas obedeceu e trouxe-lhe o guizo.

- Agora - diz o Lírio -, perante todas as outras cabras promete ser mais gentil e mais sensata!

- Sim, sim, prometo! - diz Sara.

- Então - diz o Lírio -, junta-te ao rebanho como se nada se tivesse passado.

- O que vais fazer com o guizo? - perguntou Sara.

- Isso é comigo! - respondeu o Lírio.

Sara estava tão feliz por poder cabrolar despreocupadamente, que não insistiu mais. Mas não esquecia a sua promessa e mostrava-se meiga e amavel.

O Lírio, por seu lado, reuniu as suas petalas em volta do guizo que se encontrava no chão, tapando-o quase totalmente. e ficou imovel naquela posição, para esconder o guizo. foi assim que essas flores encantadoras ficaram com o seu belo aspecto.

Martim, o pastor, nunca mais encontrou o guizo. mas também não se ralou com isso, porque Sara tinha-se tornado tão dócil e respondia tão bem ao minimo dos seus chamamentos, que ele não precisava de a procurar. Contudo, Martim tinha curiosidade de saber porque é que Sara acariciava sempre com a ponta da lingua um estranho Lírio que ela parecia adorar. Também não percebia porque é que todos os Lirios que nasciam por ali a partir de então pareciam guizos. Mas achava as flores bonitas e habituou-se a oferece-las ao seu patrao todos os anos no mes de Maio.

As pessoas grandes, quando oferecem Lirios, não sabem disto. Mas as crianças pensam sempre na Sara, no mês de Maio.

 

 

 

 

 

 

                                                                                                                                                                                Autora: IRÈNE DEKELPER 

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publicado por ana-e-historias às 21:52
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